Olho clínico

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Este mês de dezembro apresentamo-vos o caso da Brenda:

A Brenda, uma moça de 12 anos idade, frequenta o 6º ano da escolaridade, numa escola do concelho de Mértola. Sempre foi uma rapariga normal, como dizem lá na terra. Relativamente ao neurodesenvolvimento, ao comportamento e à aprendizagem, não são conhecidas, até há pouco tempo atrás, quaisquer menções dignas de registo. Mas, durante a frequência escolar deste ano, foi referido um baixo rendimento académico, associado a alterações comportamentais durante o período académico, designadamente “… sonolência ao longo do dia; dificuldade em concentrar-se nas tarefas; “preguiça” para trabalhar”. Os pais, apesar do percurso escolar formalmente escorreito, sempre a acharam uma criança preguiçosa, inactiva e com pouca vontade de estudar. Indolente, diziam eles. Todavia, este ano, as manifestações tornaram-se particularmente graves, com sonolência excessiva durante todo o dia e toda a noite. Decidiram consultar um Pediatra do Neurodesenvolvimento em Évora, que formulou um diagnóstico surpreendente: “????”. Foi medicada e a mudança foi radical. Hoje, pouco ou nada quer dormir e até já lhe chamam lá na terra a “Rainha da Noite”.

Por

Nídia Belo

  • Interna de Pediatria do Centro Hospitalar de Évora (Diretor do Serviço de Pediatria: Dr Hélder Gonçalves)

 

Captura de ecrã 2017-11-15, às 11.18.11.png

Marta Pinheiro

  • Centro Diferenças

 

Apresentamo-vos a solução do caso do mês de novembro, o caso da Benilde:

A Benilde, uma linda rapariga de tez morena, foi vítima de negligência por parte dos seus pais, razão por que foi retirada da sua família natural e posteriormente entregue para adopção aos 3 anos de idade. Actualmente, com 5 anos, frequenta a pré-primária. Da instituição educativa, vêm queixas frequentes da professora: “não dá espaço aos colegas, não sabe estar em grupo, quer chamar a atenção, demasiado dada, com perguntas desadequadas para os adultos”. Os pais também manifestam muitas preocupações: “afasta-se em espaços públicos, não tem medo de estar sozinha, não tem noção de certos perigos e anda e fala com estranhos, se não estivermos atentos”. Bem apoquentados com o comportamento da petiza, os pais procuraram a ajuda de um Pediatra Neurodesenvolvimentalista que, com base na história, formulou um diagnóstico surpreendente: ????? Volvidos 2 anos, durante os quais foi submetida a uma intervenção por psicólogo, o comportamento dela modificou-se consideravelmente; e está tão adequada que os seus colegas vaticinam que irá casar-se com um fidalgo …

Resposta:

Perturbação de Envolvimento Social Desinibido

  1. Um padrão de comportamentos em que uma criança ativamente se aproxima e interage com adultos desconhecidos e apresenta pelo menos 2 dos seguintes:
  2. Diminuição ou ausência de reserva em aproximar-se e interagir com adultos desconhecidos.
  3. Comportamento físico ou verbal excessivamente familiar.
  4. Validação junto de um cuidador adulto diminuída ou ausente depois de se aventurar para longe, mesmo em ambientes não familiares.
  5. Disponibilidade para sair com um adulto não familiar com pouca ou nenhuma hesitação.
  6. Os comportamentos descritos no critério A não se limitam a impulsividade, mas incluem comportamentos de desinibição social.
  7. A criança experimentou um padrão de cuidados insuficientes extremos como evidenciado por pelo menos 1 dos seguintes:
  8. Negligência social ou carência na forma de ausência persistente do preenchimento das necessidades emocionais básicas de conforto, estimulação e afetos pelos cuidadores adultos.
  9. Mudanças repetidas dos cuidadores primários que limitam as oportunidades de estabelecer vinculações estáveis.
  10. Crescimento em ambientes invulgares que limitam gravemente as oportunidades para estabelecer vinculações seletivas.
  11. Presume-se que os cuidados referidos no critério C são responsáveis pelo comportamento alterado descrito no critério A.
  12. E. A criança tem uma idade de desenvolvimento de pelo menos 9 meses.

 

Por

FRANCISCA DE CASTO PALHA.png

Francisca de Castro Palha

  • Interna de Pediatria do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria)
  • Departamento de Pediatria (Directora: Profª. Dr.ª Celeste Barreto)

 

Captura de ecrã 2017-11-15, às 11.18.11.png

Marta Pinheiro

  • Centro Diferenças

 

 

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